O meu Lugar…
O nervosismo à míngua de um olhar que não é meu.
O beijo.
A recordação do que nunca foi.
A saudade do poderia ter sido.
O perfume crescente de uma camisa desprendida de um corpo que apetece beijar.
Um acordar…
São lembranças. Do cheiro… Dos lugares simples que outrora viver neles tinha uma importância extrema e inquieta. Como se todas as vezes fossem uma conquista primária. Um lugar onde mais ng poderia entender o valor daqueles momentos fugazes. Era o Eu todo uno, e toda eu.. Ali.
A voracidade de tudo o que atrai, de tudo o que prende, é a intolerável incapacidade de guardar em mim tudo o que um dia foi certeza. Um lugar onde eu sou Eu, e só eu sei, e só eu sinto.
Um conforto de uma presença alheia, quando mesmo que distante cabe no coração da mesma maneira que uma palavra distante de uma ausência física.
Mas será que só eu vejo? Que só eu sinto? Que só eu desejo? … Um sentimento de solidão errado e talvez enganado. Querer deixar tudo como está e esquecer que ainda se pode voltar atrás. Os caminhos fáceis, tiraram afinal todo o verdadeiro valor do que foi abandonado? E os difíceis por doerem mais preservam-nos a identidade e sustentam o valor de algo já perdido? Eu prefiro então aqui… no meu Lugar.
A imparcialidade das coisas que nos esquecemos de viver é o alento esquecido de uma alma que não sabe estar.
Pequeninas coisas, tão intensas, tão simples, tão desejadas, tão amadas, tão esquecidas, tão incompreendidas, tão importantes, tão distantes…
O meu Lugar… A minha fuga. Perdida, entorpecida. Plena, amada. Meu!
Ousadia é achar que não posso ser diferente. Porque, com toda a modéstia, ninguém sabe de um Lugar como o meu.
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