23.5.09

fica tu com o resto do mundo

'Pega na minha mão e atravessa comigo para fora do mundo. Suspende o tempo que engana a realidade. Abraça-me. Fica. Comigo. Deixa-me sonhar-te. Sem restrições. Sem impossíveis. Deixa que exista um pedaço de qualquer coisa onde eu possa apenas ficar quieta, onde pensar em ti não perturbe o remoer dos dias. Deixa-me as horas mortas da madrugada, e o resto do dia será o teu. Terei o mesmo sorriso de sempre. Deixa-me um recanto de história para que eu possa sentir saudade e voltar sempre que o mundo lá fora doa demais.

Eu, de mim, só tenho palavras... fica tu com o resto do mundo.'

12.5.09

O espaço entre as coisas

Misturo-me com as coisas do mundo, em memórias e sonhos acordados.Queria viver da vida, e de mais nada.

É em vão que tento dizer em que consiste aquela poderosa presente ausência que oprime e agarra. Nunca está onde está, mas sempre um pouco mais longe.

São sentimentos confusos num Eu que já não sei.São palavras que não se sabem dizer.

Estamos constantemente a distorcer factos para os adaptar às teorias, em vez de adaptar as teorias aos factos.

Falsas sensações que só se sentem se acreditarmos e cegarmos às evidências, num conforto acreditado que apenas existe nas coisas que sabemos ser mentira.

Raramente existo assim, compenetrada em ser quem agarra com as mãos o que não lhe pertencerá nunca..

Um dia dou o mundo, dou-me a mim. Não penso, apenas sou.Noutro existo, somente, cativa de tudo o resto que respira o mesmo ar que eu, perco-me nas formas que o sol traz, olho o mundo mas não vejo… vivo para dentro e ninguém sonha como eu.

Existo.

Paro.

Volvo.

Deixo o tempo fluir, abandono-me ao pensamento...

Foi assim que me encontrei no mundo, ou que o mundo se encontrou em mim.

Vivo numa realidade do que sou apenas de consciência, e que foge à percepção alheia, num mundo onde existo sozinha mas que quero ser para fora e por qualquer razão não consigo.

Habito a ansiedade de todas as horas, no lugar para onde vão as coisas que vivi, no espaço entre as coisas.